quarta-feira, 29 de junho de 2011

CONSTRANGIMENTO

Posso começar este conto explicando os rumores da ‘fofoca’, mas prefiro discorrer sobre coerência, ética, diálogo, assertividade e ‘ o feio fica pra quem faz’. Expressão antiga, usada por minha bisavó. Ao longo dos anos venho expressando esta frase e sempre imbuída da certeza de meus comportamentos e postura ética.
         Um amigo com quem não falo há alguns dias me pergunta como estou após o ‘episódio com o professor’ e fico surpresa. Como sabe disso? Fulano me contou. Mais surpresa fiquei. O fulano ficou sabendo por ‘fofoca’. E esta, impeditiva da verdade, dos fatos, ou simplesmente dos fenômenos, irradia como uma substância atômica e atinge cada um de forma particular, e depois continua sua propagação. Nociva, injusta na maioria das vezes e velada para aqueles incapazes de serem assertivos.
         Os nós nas relações interpessoais promovem incômodos, mal-estar, desajuste de afeto e comprometimento da imagem, da referência. Há dificuldade em dizer: ‘ei, vem cá, preciso ter certeza de...’ e assim, algo como uma boa conversa, mesmo que maquiada, seria viabilizado e os tais ‘nós’ poderiam se desfazer e outros tipos de comportamentos reacionais surgiriam, dando a possibilidade de esclarecimento de fatos, de atos e até de tais ‘fofocas’.
 Mas para alguns, ainda incrustados ou recostados no suposto lugar de ‘autoridade’ como no cargo provisório de docente, preferem picuinhas imaturas, revoltas insensatas, injustiças morais e usam deste lugar para exprimir um incômodo pessoal, com direção, com foco pontual e cometem o engano de solicitar sob ameaça que o aluno não permaneça em aula.
         Aluno investido de direito legal, autorizado pela coordenação a frequentar a aula daquele jeito, vestido com aquela roupa, trajando aquele ‘uniforme’. E sob ameaça de não avaliar o grupo, o ‘docente’ informa que a presença do aluno com quem ele não conversa em tons maduros, assertivos e éticos, seria prejudicial.
          O aluno se retira sob ameaça e solidariamente ao grupo, que ironicamente compunha-se de 7 membros, 4 vestidos exatamente com aquele traje, com aquela roupa, autorizada pela coordenação, há 1 ano entrando e saindo da cozinha, da mesma forma, com a mesma roupa. Somente este aluno, vestido desse jeito há 1 ano, entrando e saindo daquela cozinha, com aquela roupa de sempre, é ‘expulso’. Coerência? Falemos dela agora? Preciso?
         Relações humanas são frágeis, pessoas são fragilizadas, homens pouco sábios, imaturos e medíocres são arrogantes, escondem-se em lugares chamados de docência para exercer um poder que não conseguem. Falta-lhes algo, menos arrogância, diminuído orgulho, uma pitada de maturidade, um cocção longa de inteligência e grandes colheradas de ética.
         Ética... Questão de fronteira? Depende de que lado você está da bancada?
         Engano. Contaminação. É isso que comentários maledicentes fazem e quando esbarram em um ‘professor’ com as características acima, então, adeus a possibilidade da assertividade, ética, justiça e bom senso.
         O tom do constrangimento que alguém sente por ser injustamente expulso de seu lugar de direito, é extremante particular e precisa ser respeitado. O que se faz com o que se sente é por conta daquele que sente. Medidas legais podem ser tomadas, solicitação de boletim de ocorrência pode ser lavrada, ação civil, indiferença, pena e quaisquer outros tons, são da ordem da singularidade. Aos que fofocam não cabe julgar. Já acham tanto fofocando.
         Comiseração. Nenhuma, afinal, pra que tanto, não é? Não foi com você. Então não dói. Se os fofoqueiros fossem empáticos, suas posturas seriam diversas. Mas a eles cabe só achar, comentar, falar, dizer sobre, discorrer e cada conto, um ponto, uma vírgula e mais uma condenação da imagem de alguém.
         A quem cabe ouvir, ignora. ‘Até meio dia quero estar em casa’. A quem dizer do fato? Pra quem informar o engano, o agravo, o constrangimento? Meio dia ele precisa estar em casa.
         Agora, minha parte melhor pra escrever pela primeira e última vez esse conto. ‘O FEIO FICA PRA QUEM FAZ’. Não preciso dizer muito sobre isso. O desrespeito, o constrangimento, o mal-estar, o nervoso e as lágrimas doídas pela injustiça, exposição indevida, ausência de apoio e taquicardia ficou naquela sexta-feira, último dia de aula. O convite era divertir, rir e finalizar comendo pipoca e mexerica geladinha. E terminou engasgado, um tanto doído e absurdamente constrangido.
         Este termo acima em negrito percorreu este texto em sua essência, para explicitar que aquele aluno, naquele determinado ato, sentiu-se assim e fez uma escolha. E hoje, faz outra. Contar um conto.