Olá.
O texto abaixo complementa o texto postado: 'Explicando as manhãs com noz'. Minha intenção era escrever minhas impressões todos os dias, mas adversidades, outros compromissos e variadas emoções me impossibilitaram. Escreverei com calma e tempo, já formada. Falta pouco. Terei muito tempo para cozinhar e escrever, fazendo disso um exercício duplamete delicioso.
Ache o texto mencionado acima e depois leia minha nova postagem.
O texto de hoje foi um pedido de minha amiga Rosalina. Passamos um dia lindo ontem 3/6/2012 na Fazenda União em Rios das Flores. Ela gostaria de dizer a todos o que sente e pensa acerca desse processo vivenciado por nós, contudo, não aconteceu, mas eu gostaria de deixar postado e quando alguém ligado a nós ler, poderá perceber o quê o curso fez por nós e ainda como pensamos sobre algo tão significativo que nos mobilizou. Conversávamos por horas acerca do tema: Diferença, individualidade, singularidade...
Hoje é 3 de junho de 2012.
Quase dois anos juntos. Não somos
mais 40 e poucas pessoas. Como boa redução, chegamos a 25 alunos. Recebemos
colegas de outro turno, agregaram sua presença, sua alegria, suas particularidades.
As perdas como percebidas por mim,
aconteceram cada uma em seu tempo, com seus motivos. Habituamos à ausência.
Vivenciamos o que pudemos. Fomos
bacanas ou babacas em períodos diferentes de nossa própria cocção. Estamos em
processo de formação, de crescimento, de construção de uma nova identidade: de
gastrônomos. Sairemos ainda por construí-la.
Nossa singularidade sempre foi algo
que mobilizou a todos. Conviver com o diferente e respeitá-lo era um convite,
recusados por alguns, aceito amplamente por outros e respeitados por aqueles
que se diferenciam. Na verdade, se pensarmos de forma plena, diferente sou eu
de você, que difere do outro ao seu lado, que por sua vez não é igual ao seu
colega de carteira, que se diferencia do colega de trás e este do amigo da frente. Enfim, apontar a diferença e se incomodar com ela é resumidamente,
incomodar-se consigo. O outro não é só
aquilo que me incomoda, ele é também, e com certeza, tem mais um monte de
características que podem ser elevadas ao plano da suportabilidade e outras da
mais alegre, natural, leve e tranquila aceitabilidade.
Apelidos engraçados surgiam a partir
de um simples olhar, de um jeito particular ou só de lembrar de algum personagem.
Jeito especial merece risos. Por nada e por tudo surgiam em cada manhã novos
apelidos e novos risos, comportamento cíclico, como a vida da gente. Passamos
uns bocados. Tanto na vida pessoal, quanto na acadêmica.
A proposta subliminar neste curso é:
respeitar as diferenças, conviver com o outro sem exigir tanto que ele seja
como eu desejo. Obviamente, o outro não tendo tanta afinidade, vai lidar menos
comigo, mas isso não é um problema, desde que me respeite. Sou de um jeito
antes de ser para o outro do seu jeito.
Crescemos, rimos, choramos,
surtamos, erramos, aprendemos, divertimos, nos comprometemos, amamos e não
gostamos tanto. No final, terminamos esta etapa. Ah! Não posso deixar de
mencionar, comemos pra caramba, parecendo fugidos
de grandes secas. Essa compatibilidade temos em comum, todos, indiscutivelmente.
Até quem come ‘só uma lágrima', aprecia
o ato de comer. Pegamos emprestado da cozinha muita comidinha, coisinhas,
delícias que descobrimos sermos capazes de elaborar e reproduzir.
Hoje, um dia especial escolhido
para comemorarmos tudo isso e nossa
singularidade, com nossa personalidade ímpar que nos aproxima, ora nos afasta,
mas nos faz sermos assim, indivíduos.
O curso de gastronomia cumpriu seu
objetivo, formou gastrônomos, e como todo bom cozinheiro, sabemos que as
cocções são diferentes para cada ingrediente e proposta. Somos nós em processo
de cocção e desejo a todos os melhores temperos e condimentos para que o
cotidiano seja mais harmônico, afetivo, divertido, amoroso e respeitável.
Com natural afeto.
Rosalina
e Rosa Simões
Fazenda
União 3 de junho de 2012.