quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Explicando 'manhãs com noz'... do começo!

Olá. O texto abaixo inaugura oficialmente este meu  novo projeto.
           Hoje quero transcrever escritos que aconteceram no primeiro dia de aula. As razões para minha extremada alegria em cursar gastronomia são profundamente subjetivas e singulares, o que posso informar, é que este novo estado, me promove perspectivas positivas. Sinta-se confortável para percorrer meu universo particular. Escrevi para mim, agora, para você.
       Gastronomia, 2 de agosto de 2010.
         A ansiedade passou. Acho. Estou sentada confortavelmente na primeira carteira, ao lado da parede. Adoro este lugar. Meus ouvidos ficam perto de quem fala, ao lado de outro alguém que a qualquer momento poderá falar, comigo, com o outro, de nós. Fico de frente para todos, gosto desse lugar.  Meus sentidos estão disponíveis.
         Nossos desejos e sonhos começam a tomar forma. Estamos aqui, agora, para degustarmos nossa companhia, provarmos os paladares do saber de uns tantos professores 'chefs'. Somos diferentes em nossas particularidades e é assim que devemos continuar, o que nos assemelha é o desejo. Nem tanto o talento, iremos descobrí-lo, seremos descobertos; iremos reconfirmá-los, seremos confirmados.
        Universo digestivo. Para mim, um pouco vegetariano nas naturais formas de ser de cada um destes 40 paladares. O corpo docente é apetecível, suas especificidades individuais terão seu tempo de surgirem, serem aceitas, pensadas, questionadas, bem acolhidas e queridas. Respeitadas já o são. Reconhecemos nossos lugares.
      Histórias foram contadas, currículos narrados para nos dizer: Sejam bem-vindos!
      Escreveremos nosso cardápio enquanto grupo. Teremos um sabor, um tom, um ritmo, uma textura. Seremos um grupo doce? Temperaremos nossas manhãs com pouco ou muito sal? Noz-moscada é plural, além de digestiva, é ótima para o cérebro; imprime presença. Seremos 'Nós?' Naturalmente criaremos afinidades. Licorosas? Amanteigadas? Picantes? Concorrência de talentos surgirá generosamente para cozinhar nosso orgulho. Que tal um cravo? seu odor penetra a alma, acalma dores de dente. Sabores rangentes?
       Meu desejo número agora é usar uma faca do chef, cortar uma tenra cebola, sem olhar pra ela, seguir meus dedos e sentir o movimento certo que preciso fazer sem surpresa e em êxtase ver o que sou capaz de fazer com uma  cebola e uma faca do chef.
       As aproximações são sutis e acontecerão no tempo do contato.
       Hoje quase sussurrei, engasguei para dizer meu nome uma ou duas vezes, tremi só um pouquinho e falei só o que pude, o que surgiu. Li meu livro, comi biscoito levíssimo e alguns morangos. Levíssimo é meu sentir hoje.
        A coordenação aparenta ser uma cozinha completa, com panelas, pratos, pedidos, entradas e saídas, taças limpas e usadas, panos, talheres, tudo à nossa disposição. Acesso fácil, sem glamour ou ostentação, um tanto humilde na riqueza de talento e experiência. Indivíduos acessíveis.
       Quando nosso professor-coordenador mencionou acerca dos cinco sentidos usados na gastronomia, me fez pensar no  sentido de intropercepção, a fusão de diferentes sentidos. O que é chamado de sinestesia. São percepções e sensações interconectadas por processos sensoriais. Um estímulo visual, estimula o olfato que promove conexão com o paladar, que expande a audição, que te faz pulsar diferente, tocar, ser tocada, cheirar, vibrar, resultando na mobilização de seu corpo por dentro, de forma completa, global, especial momento em que todos os sentidos são percebidos e experienciados.  É aquele 'troço' que a gente sente e nosso corpo todo responde com  um prazer orgástico, iniciado com o que nos acomete em relação ao ato de comer.
     Tenho êxtase quando como minha comida ou 'coisas' naturais por aí, meu organismo me fala. Minha comida tem luz, vida, aroma, cor, forma, jeito de comida gostosa e saudável. Tem cheiro de cravo, gosto de canela, ervas e  curry, aparência de folhas verdes e fresquinhas, tem jeito de saúde, tem cara de rosa.
     Hoje, minha turma estava com gosto de gengibre, refrescante. Tinha uma cara de guisado de legumes, jeito de requeijão derretido na batata cozida no cominho e assada no forno salpicada com pedacinhos de mozzarella com alecrim.
    Se eu fosse fazer um prato para o dia de hoje, seria assim:
     Salada fresca - rúcula, almeirão, agrião, alho-poró, azeitona preta, tomate seco, coentro, tomilho e tudo salpicado com nozes.
    Guisado de legumes com gengibre.
     Peito de frango em cubos com molho de gorgonzolla com cravo.
     Um milho cozido bem quentinho, perto do arroz integral com açafrão.
                         Hoje eu senti meu primeiro dia com sabores diversos e ávidos para serem experimentados.
                             Amanhã conto de meu contato com a faca do chef e cebola. rsrsrs
                                         Beijos e obrigada por ter estado aqui.

Um comentário:

  1. Parabéns pelo texto e iniciativa de divulgar seus pensamentos o mundo anda precisando de conversas assim como "nóz" estamos fazendo!
    Abrços
    Laércio V. Almeida

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